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Não sei lidar com dinheiro

A situação econômica do Brasil inspira cuidados. A maioria dos economistas alerta: estamos entrando em uma fase recessiva.  Apesar desse inegável dado de realidade, mudar a própria relação com o dinheiro não é fácil.  A queixa de não saber lidar com dinheiro é bastante comum, embora os motivos possam ser diferentes. Vou examinar aqui duas atitudes opostas que podem abranger um número bastante amplo de casos.

Para alguns, isto significa uma tendência crônica ao endividamento e uma dificuldade para poupar, controlando seus gastos. No outro extremo há quem não consegue se “apropriar” do dinheiro ganho com seu trabalho. É o caso de quem faz investimentos duvidosos, ou não consegue negar de emprestar suas suadas economias a desavisados amigos e familiares, mesmo sabendo que, na maioria dos casos, o dinheiro nunca será devolvido. No caso de profissionais liberais, há ainda quem não consegue “cobrar” uma justa remuneração por seus serviços, ou, se for empregado, ir para o mercado em busca de um salário melhor. Em todos esses casos estamos falando de situações psicologicamente diferentes, embora tenham em comum a dificuldade de lidar com o dinheiro.

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Matrimônio e separação

A separação se tornou um fenômeno bastante comum na maioria dos países do hemisfério ocidental, chegando a representar quase 50% dos matrimônios celebrados em alguns deles, A própria Igreja Católica que tradicionalmente mantinha em relação a esse tema uma posição rígida se viu obrigada a rediscutir suas práticas pastorais no último Sínodo convocado pelo Papa Francisco, causando bastante polêmica nos setores mais conservadores.

O casamento está de fato enfrentando uma crise, obrigando os que se casam a reinventá-lo, para que ele possa sobreviver aos desafios apresentados pelas mudanças da sociedade contemporânea. Algumas são bem conhecidas: mudanças das relações de gênero, inserção cada vez mais profunda da mulher no mundo do trabalho, exigências da sociedade de consumo, mudanças na compreensão dos papeis masculinos e femininos que, no entanto, não resultaram ainda na solidificação de novos modelos. Tudo isso sem contar o casamento encarado como um mero “produto” de consumo, no qual os jovens investem energias e consideráveis quantidades de dinheiro, dispostos porém a “trocá-lo” com bastante facilidade para um “produto” novo.

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Alcoolismo, uma doença que se tornou moda

Quem já participou de festas elegantes da alta sociedade sabe que frequentemente o clima se torna insuportável por causa do excesso de consumo de álcool, que torna os participantes chatos, inconvenientes e o clima da festa deprimente. Naturalmente este não é um problema que se restringe às classes mais abastadas. Uma festa “na laje” pode ter as mesmas características. O alcoolismo é um problema “democrático” que atinge todas as camadas sociais. Independentemente do nível social dos participantes, quem não bebe acaba se sentindo deslocado e até “chato”.

Entre os jovens não é diferente. Começar a consumir álcool é uma espécie de rito de iniciação que “introduz” no grupo dos “legais”, dos “pegadores”. Quem não bebe se sente excluído, careta e inadequado.

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Ensaio sobre a cegueira

Refletindo sobre as sensações que despertou em mim o último processo eleitoral surgiu espontânea na minha mente a associação com o romance Ensaio sobre a cegueira do escritor Saramago, mais tarde transformado no filme homônimo.

Perguntei a mim mesmo por que a palavra cegueira se impôs aos meus pensamentos. O que isso teria a ver com as eleições e com a avalanche de comentários que povoaram as páginas das redes sociais durante e depois da campanha? A sensação foi de uma progressiva perda da “visão”, que acometeu de forma súbita, como no romance, uma massa crescente de pessoas. Um véu escuro caiu sobre os olhos dos que se empenharam nas duas frentes da campanha do segundo turno. A capacidade de enxergar a realidade com senso crítico ficou aos poucos afetada. Os candidatos e seus respectivos partidos se tornaram rapidamente sombras de objetos “idealizados”. Nada cega mais que a idealização.

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O mito de Eros: do desejo à falta

O mito do nascimento de Eros, descrito por Platão, é extremamente interessante para nos ajudar a entender como desejo e falta estão interligados. Eros nasce de uma noite de amor entre Póros, que acaba de sair de uma festa completamente bêbado, e Penía, uma mendiga que, fascinada pela sua beleza, resolve fazer um filho com ele.

O mito, nascido na Grécia antiga, nos mostra que qualquer desejo vem sempre acompanhado do traço genético de Penía (que significa falta). O desejo remete à falta, pois é nela que se origina e nela que desemboca quando se esvai no gozo, na fruição plena de um determinado objeto (pessoa, coisa ou situação).

O gozo é sempre acompanhado da falta, de uma sensação de morte: um estado de suspensão, onde o “movimento” desejante é zerado, resultando em um estado estático de morte psíquica.

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