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Pessoas "grossas" ou autoritárias sofrem menos?

 

Aristóteles, afirmava que a virtude consiste em manter o equilíbrio. Curiosamente em latim a palavra “virtus” quer dizer também “força”, o que torna a sentença do filósofo grego ainda mais interessante.

Aparentemente as pessoas “grossas” e as autoritárias manifestam força e desenvoltura, mas, se fizéssemos um levantamento sobre o seu índice de popularidade, creio que se sairiam bastante mal. Esse tipo de perfil psicológico não atrai. Pessoas que dão livre vazão à sua agressividade somente se dão bem quando encontram um psiquismo que tende à submissão e que se deixa capturar pela virulência do comportamento alheio.

Evidentemente, se quem é grosso e autoritário encontrar alguém com o mesmo perfil, o barraco está montado e certamente os dois lados terão que enfrentar uma dose de estresse considerável. Sem contar que, mesmo quando o comportamento agressivo aparentemente não é revidado, ele pode ser contrastado sutilmente por reações inconscientes que tendem a sabotar quem é grosso ou autoritário (é o caso da faxineira que quebra inadvertidamente o vaso mais caro da casa da patroa que a trata mal).

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As pessoas mudam ou melhoram?

Mudar, melhorar, curar: é possível?

A pergunta abre duas possibilidades de entendimento. Pode esconder a angústia diante do “outro” que não muda e o desejo que ele possa mudar, ou então pode refletir a angústia diante da sensação de que mudar a si mesmo é muito difícil.

No meu livro “A psicanálise cura?” traço um percurso ao longo dos desenvolvimentos da teoria psicanalítica em busca da resposta que a Psicanálise dá em relação à possibilidade de “cura” de quem procura o processo terapêutico da análise.

Os termos mudança, melhoramento, cura, remetem à esperança que o ser humano possa dominar seus demônios internos e introduzem a primeira questão: o “desejo” de cura. Qualquer mudança supõe uma necessidade interna e um desejo de mudança. Neste sentido, não é possível mudar o outro. Apenas podemos apostar na possibilidade de mudar algo em nós mesmos, desde que percebamos a necessidade de mudar.

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Quando estou sozinho quero estar com alguém, mas quando estou com alguém quero estar sozinho. O que faço?

A capacidade de estar só

O trabalho da análise nos mostra que nunca estamos sozinhos.  Sempre estamos “conversando”, sem perceber, com “personagens” que habitam o nosso mundo interno, assim como os nossos sonhos revelam, de forma mais explícita, com suas histórias fantásticas.

Quando falava com uma paciente esquizofrênica sobre a “sua turma”, ela sorria, porque sabia perfeitamente do que eu estava falando: era um conjunto de “personagens” nos quais o seu mundo interno se fragmentava e cujas vozes ela ficava escutando o dia inteiro. Um diálogo que ela resumia na expressão “eles dizem”.

A pessoa “normal” não percebe com clareza a voz desses personagens, mas com eles dialoga no seu mundo interno, sem vê-los e sem identificá-los como pessoas separadas de si.

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Psicose e perversão

 

Quando falamos em perversão, do ponto de vista psicológico, não estamos emitindo nenhum juízo sobre o caráter moral da pessoa. Freud considerava a perversão como um tipo de funcionamento psíquico que, por algumas características, estaria mais próximo da psicose (loucura) que da neurose.

Os sintomas que caracterizam essa síndrome não têm contudo a mesma intensidade da psicose. Quem já teve a oportunidade de se relacionar com um psicótico sabe o quanto é difícil para ele estabelecer vínculos. A dificuldade não abrange apenas as relações pessoas, mas também as relações com o mundo externo em geral. Ambos são negados e rejeitados. Fantasia e realidade estão sempre intimamente relacionadas na mente do psicótico que, tem muita dificuldade em separar uma da outra.

As fantasias podem chegar a tamanha intensidade que podem criar imagens, sons ou outras percepções sensoriais que são percebidas como reais, embora existam apenas na mente do psicótico.  É o que chamamos de alucinação. Tramas conspiratórias são criadas com riqueza de detalhes e se tornam absolutamente “reais” e fazem com que o psicótico se veja à mercê de inimigos imaginários e perigosos (paranóia).

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Roberto Girola

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