Destaques

Tam. da fonte

O indivíduo como empresa

O sistema neoliberal transforma o indivíduo numa empresa de si mesmo: ele deve administrar a sua existência: vida planejada, metas a cumprir ( até para o ócio ou lazer, temos metas, isto é devemos ser eficientes). O uso da palavra empresa, ainda que de modo equivocado juridicamente, é revelador da associação entre o indivíduo que age e aquele que alcança resultados positivos e duradouros, (cumprindo assim dimensões caras à gestão: eficiência, eficácia e efetividade). Mas não basta empreender e conquistar, é preciso ser arauto de seus próprios feitos. Convencer a si e sobretudo aos outros de que o custo de sua existência é menor que os benefícios que esta existência trará. Espera-se que nos tornemos especialistas em auto marketing: o homem vitrine (aquário), vivendo numa sociedade espetáculo: o espaço público e a privacidade igualmente banalizados.

Ocorre que a maioria das experiências humanas não se sujeita a análises “custo benefício”. Embora exista uma economia psíquica, esta tende para um equilíbrio interior e não para maximização de resultados positivos, sobretudo resultados avalizados externamente ao ser. O que tentamos dizer é que a humanidade se afirma também no alcance de consequências inesperadas ou mesmo indesejáveis, mas sobretudo em resultados íntimos, pessoais. A percepção moderna da subjetividade compreende que nem todos os resultados/ efeitos são controláveis pela assunção da vontade humana consciente. O próprio direito reconhece isso. Evoluiu-se da responsabilidade jurídica baseada na reprovação “moral” da conduta do indivíduo (subjetiva) para a responsabilidade objetiva com ênfase na reparação dos danos e assunção de riscos como nexo de imputação de responsabilidade.

Leia mais...

O mito de Eros: do desejo à falta

O mito do nascimento de Eros, descrito por Platão, é extremamente interessante para nos ajudar a entender como desejo e falta estão interligados. Eros nasce de uma noite de amor entre Póros, que acaba de sair de uma festa completamente bêbado, e Penía, uma mendiga que, fascinada pela sua beleza, resolve fazer um filho com ele.

O mito, nascido na Grécia antiga, nos mostra que qualquer desejo vem sempre acompanhado do traço genético de Penía (que significa falta). O desejo remete à falta, pois é nela que se origina e nela que desemboca quando se esvai no gozo, na fruição plena de um determinado objeto (pessoa, coisa ou situação).

O gozo é sempre acompanhado da falta, de uma sensação de morte: um estado de suspensão, onde o “movimento” desejante é zerado, resultando em um estado estático de morte psíquica.

Leia mais...

Sinto-me oprimido, tenho muita insegurança. Parece que tudo o que faço está sendo observado com um olhar de desaprovação por todos. Queria força para me sustentar e lutar contra isso.

O olhar dos outros

Certa vez, um paciente que acabava de mudar de apartamento, me falava sobre a sua sensação de estar sendo observado o tempo todo. Voltava a falar desse incômodo quase em toda sessão, até eu perguntar se as janelas do seu apartamento davam para algum prédio próximo. Ele então admitiu que o seu apartamento tinha uma bela vista sobre a cidade e que não havia nenhum prédio próximo, mas que, ao longe, alguém poderia estar observando sua vida com um telescópio.

Creio seja essa a sensação descrita pelo nosso leitor: para ele a vida parece transcorre sob o olhar perscrutador e severo dos outros. Trata-se de um olhar que captura o psiquismo e o aprisiona, transmitindo uma sensação de insegurança e de inadequação. Infelizmente esse sintoma não é tão raro. Muitas pessoas vivem atormentadas, de forma mais ou menos intensa, pela dúvida diante daquilo que “os outros” podem estar pensando delas.

Leia mais...

O instinto de morte

Em Além do princípio do prazer, Freud introduz uma radical mudança na sua teoria sobre o funcionamento psíquico. A mudança foi tão surpreendente que muitos dos seus seguidores não a aceitaram ou tenderam a minimizá-la.

Se até então Freud via na busca do prazer e na tentativa de evitar o desprazer o motor da força que move o psiquismo, a libido, a partir desse momento a sua atenção se volta para outro instinto básico que percorre a vida psíquica: o instinto de morte, ou, como alguns preferem a; pulsão de morte (totentrieb), uma palavra inexistente no vocabulário corrente, especialmente criada para tentar dar uma ideia da complexidade da palavra alemã trieb, usada por Freud.

Mas afinal por que Freud resolve introduzir um conceito tão estranho na vida psíquica? Talvez se olharmos ao nosso redor, não seja tão difícil entender do que ele estava falando, pois hoje, mais do que nunca, esse “instinto” está presente em nossas vidas, de forma bastante visível.

Leia mais...

Pessoas "grossas" ou autoritárias sofrem menos?

 

Aristóteles, afirmava que a virtude consiste em manter o equilíbrio. Curiosamente em latim a palavra “virtus” quer dizer também “força”, o que torna a sentença do filósofo grego ainda mais interessante.

Aparentemente as pessoas “grossas” e as autoritárias manifestam força e desenvoltura, mas, se fizéssemos um levantamento sobre o seu índice de popularidade, creio que se sairiam bastante mal. Esse tipo de perfil psicológico não atrai. Pessoas que dão livre vazão à sua agressividade somente se dão bem quando encontram um psiquismo que tende à submissão e que se deixa capturar pela virulência do comportamento alheio.

Evidentemente, se quem é grosso e autoritário encontrar alguém com o mesmo perfil, o barraco está montado e certamente os dois lados terão que enfrentar uma dose de estresse considerável. Sem contar que, mesmo quando o comportamento agressivo aparentemente não é revidado, ele pode ser contrastado sutilmente por reações inconscientes que tendem a sabotar quem é grosso ou autoritário (é o caso da faxineira que quebra inadvertidamente o vaso mais caro da casa da patroa que a trata mal).

Leia mais...

Página 1 de 2

Início
Anterior
1

Artigos Relacionados

Esta página não é um artigo.


Roberto Girola

Criar seu atalho A psicanálise cura? Introdução à teoria psicanalítica

Promova sua página também Perguntas a um Psicanalista

Promova sua página também