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Alcoolismo, uma doença que se tornou moda

Quem já participou de festas elegantes da alta sociedade sabe que frequentemente o clima se torna insuportável por causa do excesso de consumo de álcool, que torna os participantes chatos, inconvenientes e o clima da festa deprimente. Naturalmente este não é um problema que se restringe às classes mais abastadas. Uma festa “na laje” pode ter as mesmas características. O alcoolismo é um problema “democrático” que atinge todas as camadas sociais. Independentemente do nível social dos participantes, quem não bebe acaba se sentindo deslocado e até “chato”.

Entre os jovens não é diferente. Começar a consumir álcool é uma espécie de rito de iniciação que “introduz” no grupo dos “legais”, dos “pegadores”. Quem não bebe se sente excluído, careta e inadequado.

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Ensaio sobre a cegueira

Refletindo sobre as sensações que despertou em mim o último processo eleitoral surgiu espontânea na minha mente a associação com o romance Ensaio sobre a cegueira do escritor Saramago, mais tarde transformado no filme homônimo.

Perguntei a mim mesmo por que a palavra cegueira se impôs aos meus pensamentos. O que isso teria a ver com as eleições e com a avalanche de comentários que povoaram as páginas das redes sociais durante e depois da campanha? A sensação foi de uma progressiva perda da “visão”, que acometeu de forma súbita, como no romance, uma massa crescente de pessoas. Um véu escuro caiu sobre os olhos dos que se empenharam nas duas frentes da campanha do segundo turno. A capacidade de enxergar a realidade com senso crítico ficou aos poucos afetada. Os candidatos e seus respectivos partidos se tornaram rapidamente sombras de objetos “idealizados”. Nada cega mais que a idealização.

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O indivíduo como empresa

O sistema neoliberal transforma o indivíduo numa empresa de si mesmo: ele deve administrar a sua existência: vida planejada, metas a cumprir ( até para o ócio ou lazer, temos metas, isto é devemos ser eficientes). O uso da palavra empresa, ainda que de modo equivocado juridicamente, é revelador da associação entre o indivíduo que age e aquele que alcança resultados positivos e duradouros, (cumprindo assim dimensões caras à gestão: eficiência, eficácia e efetividade). Mas não basta empreender e conquistar, é preciso ser arauto de seus próprios feitos. Convencer a si e sobretudo aos outros de que o custo de sua existência é menor que os benefícios que esta existência trará. Espera-se que nos tornemos especialistas em auto marketing: o homem vitrine (aquário), vivendo numa sociedade espetáculo: o espaço público e a privacidade igualmente banalizados.

Ocorre que a maioria das experiências humanas não se sujeita a análises “custo benefício”. Embora exista uma economia psíquica, esta tende para um equilíbrio interior e não para maximização de resultados positivos, sobretudo resultados avalizados externamente ao ser. O que tentamos dizer é que a humanidade se afirma também no alcance de consequências inesperadas ou mesmo indesejáveis, mas sobretudo em resultados íntimos, pessoais. A percepção moderna da subjetividade compreende que nem todos os resultados/efeitos são controláveis pela assunção da vontade humana consciente. O próprio direito reconhece isso. Evoluiu-se da responsabilidade jurídica baseada na reprovação “moral” da conduta do indivíduo (subjetiva) para a responsabilidade objetiva com ênfase na reparação dos danos e assunção de riscos como nexo de imputação de responsabilidade.

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O mito de Eros: do desejo à falta

O mito do nascimento de Eros, descrito por Platão, é extremamente interessante para nos ajudar a entender como desejo e falta estão interligados. Eros nasce de uma noite de amor entre Póros, que acaba de sair de uma festa completamente bêbado, e Penía, uma mendiga que, fascinada pela sua beleza, resolve fazer um filho com ele.

O mito, nascido na Grécia antiga, nos mostra que qualquer desejo vem sempre acompanhado do traço genético de Penía (que significa falta). O desejo remete à falta, pois é nela que se origina e nela que desemboca quando se esvai no gozo, na fruição plena de um determinado objeto (pessoa, coisa ou situação).

O gozo é sempre acompanhado da falta, de uma sensação de morte: um estado de suspensão, onde o “movimento” desejante é zerado, resultando em um estado estático de morte psíquica.

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Sinto-me oprimido, tenho muita insegurança. Parece que tudo o que faço está sendo observado com um olhar de desaprovação por todos. Queria força para me sustentar e lutar contra isso.

O olhar dos outros

Certa vez, um paciente que acabava de mudar de apartamento, me falava sobre a sua sensação de estar sendo observado o tempo todo. Voltava a falar desse incômodo quase em toda sessão, até eu perguntar se as janelas do seu apartamento davam para algum prédio próximo. Ele então admitiu que o seu apartamento tinha uma bela vista sobre a cidade e que não havia nenhum prédio próximo, mas que, ao longe, alguém poderia estar observando sua vida com um telescópio.

Creio seja essa a sensação descrita pelo nosso leitor: para ele a vida parece transcorre sob o olhar perscrutador e severo dos outros. Trata-se de um olhar que captura o psiquismo e o aprisiona, transmitindo uma sensação de insegurança e de inadequação. Infelizmente esse sintoma não é tão raro. Muitas pessoas vivem atormentadas, de forma mais ou menos intensa, pela dúvida diante daquilo que “os outros” podem estar pensando delas.

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